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Transtorno obsessivo compulsivo



O Aviador (2004), do realizador Martin Scorsese, relata a vida de uma das figuras mais marcantes da América do Século XX, Howard Hughes (Leonardo DiCaprio), o excêntrico multimilionário da América dos anos 30. A sua paixão por aviões, cinema e por mulheres marcou um período na história americana. Mas Hughes também tinha as suas próprias incapacidades e fobias, e as suas crescentes extravagâncias e o comportamento obsessivo vão levá-lo ao seu próprio isolamento.

Num quadro saudável, as pessoas obsessivas, detalhistas, perfeccionistas têm grandes qualidades: costumam ser trabalhadoras, competentes e confiáveis.
Neste caso fala-se de uma doença em que essas características atrapalham a vida da pessoa. Ou seja, deixam de ser uma qualidade e passam a ser um problema.
Embora esse quadro tenha, geralmente, início na adolescência ou começo da idade adulta, ele pode aparecer na infância de forma tão comum quanto em adultos. A idade de início costuma ser um pouco mais precoce nos homens mas, de qualquer forma, cerca de 33 a 50% dos doentes com TOC referem que o início do transtorno foi na infância ou adolescência.
Com maior frequência, o início do transtorno é gradual, mas, em alguns casos, pode ser agudo e a média de idade para seu surgimento é dos 6 aos 11 anos. A maioria dos indivíduos tem um curso crónico de vaivém dos sintomas, com exacerbações possivelmente relacionadas a ansiedade, depressão e stress.
Fisiologicamente, costuma existir um pequeno grau de obsessões nas crianças, como por exemplo, quando de carro, contar as árvores ou postes que passam, não pisar nos riscos das calçadas, e coisas assim.

Sintomas
O TOC (transtorno obsessivo compulsivo), também denominado por DOC (desordem obsessivo compulsiva), caracteriza-se basicamente pela repetição de gestos, rituais, pensamentos e actividades que a pessoa sabe que não fazem sentido, mas que não consegue evitar.
Se não executá-los passa por uma ansiedade brutal ou acha que poderá acontecer algo de ruim para si ou para outras pessoas.
Uma das características principais é que a pessoa tem consciência de que os rituais ou pensamentos não tem lógica, não são necessários, porém são inevitáveis.
Os sintomas podem ser os mais variados. Por exemplo:
  • Lavar as mãos muito mais do que o necessário.
  • Lavar a boca com água, sabão, álcool, etc.
  • Voltar para conferir portas, janelas, bico de gás, etc., mesmo tendo certeza que estão fechados.
  • Rezar, recitar, falar ou pensar em frases, palavras ou músicas de modo repetido.
  • Não pegar em objectos que poderiam ter caído no chão, ou tocado em algo sujo, ou terem sido tocados por alguma pessoa que poderia ter alguma doença.
  • Ficar-se remoendo por ter feito algo que pode ter sido errado ou que poderia ter sido interpretado pelos outros como sendo errado.
  • Roer unhas.
  • Levar tempo demais para fazer coisas comuns, devido à repetição ou conferência exageradas (por exemplo abrir e fechar coisas repetidamente, conferir papéis e documentos muitas vezes).
  • Ficar-se a preocupar com a possibilidade dela ou de um familiar ter contraído alguma doença (hoje em dia a cisma mais frequente é de estar contaminado com SIDA).
A doença pode manifestar-se com mais intensidade em fases ou situações mais difíceis na vida.
Quem sofre de DOC está sujeito a ter fases de depressão e ataques de ansiedade com sudorese, palpitações e tremor, verdadeiros ataques de pânico, o que é normal e não quer dizer que o doente sofra de três doenças ao mesmo tempo. DOC não está relacionado com psicose nem "loucura".
Fazem parte do grupo dos TOC os seguintes quadros clínicos:
  • Dismorfofobia ou dismorfia corporal, na qual a pessoa acha que alguma parte de seu corpo é feia ou deformada. Muitos doentes passam por cirurgias plásticas que evidentemente não trazem "resultados" e chegam a isolar-se socialmente pela "vergonha".
  • Cleptomania, na qual a pessoa furta objectos de pequeno valor, os quais poderia comprar. Em geral joga os objectos fora, ou dá-os a alguém, ou guarda como troféu. O impulso de furtar é precedido por grande ansiedade, posteriormente de um alívio.
  • Sexo compulsivo.
  • Jogo compulsivo e compras compulsivas que são problemas obsessivos mas são tratados de modo bem diferente do TOC.
  • Coleccionismo ou hoarding: acumular quantidades enormes de papeis, documentos, jornais velhos, objectos, sem nenhuma utilidade.
  • Síndrome de Tourette, consiste em ter tiques, principalmente com a cabeça, pescoço e mãos, e emitir sons pela garganta. Embora faça parte do TOC, o seu tratamento é diferente.
As causas são um conjunto de factores:
  • Alteração de química cerebral;
  • Genéticos;
  • Psicológicos;
  • O TOC não é causado por "falhas de educação" nem por problemas de relacionamento entre os membros da família. Ou seja, os pais não causam TOC nos filhos.
Tratamento:
As pessoas com TOC geralmente gostam de falar de doenças e preocupar-se com elas, mas não de tomar medicação. Elas classificam-se como "hipocondríacos que detestam medicação".
Porém, se não for tratado, o TOC pode cronificar e tornar-se incapacitante. O tratamento mais eficaz consiste em:
  • Medicação. Não deve interromper o tratamento por não sentir melhoras nas primeiras semanas. O doente com TOC é teimoso, a pessoa responsável por acompanhar o tratamento tem que ser mais teimosa ainda.
  • Psicoterapia cognitivo comportamental, que é bem diferente da psicoterapia analítica.
  • Força de vontade para resistir ao impulso obsessivo.
A família pode ajudar:
  • Insistir no tratamento.
  • Lembrar ao doente a necessidade dele resistir às "manias".
  • Não levar a sério os medos, dúvidas e perguntas do doente. Por exemplo, o doente quer voltar para casa para conferir se fechou uma porta. Não concorde.
  • Não entre em discussões, por exemplo, sobre vírus e bactérias e contaminações, pois elas seriam infinitas.
Fonte: Mental Help
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