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A paralisia cerebral e a espasticidade


A espasticidade é a rigidez muscular que dificulta ou impossibilita o movimento, em especial dos braços e das pernas. Acontece quando se verifica uma lesão numa parte do sistema nervoso central que controla os movimentos voluntários, e pode ter origem no cérebro ou na medula espinal.

As lesões provocam uma alteração no equilíbrio dos sinais transmitidos entre o sistema nervoso e os músculos. Este desequilíbrio origina uma actividade acrescida ou espasmos nos músculos.

Os sintomas da espasticidade podem variar desde uma leve contracção muscular até uma rigidez severa. A impossibilidade de controlar os músculos voluntários poderá aumentar o grau de dificuldade para realizar actividades diárias tais como vestir, comer, escovar os dentes ou os cabelos.

A espasticidade nos músculos dos membros inferiores pode interferir com a capacidade para andar ou sentar, por exemplo, enquanto que a espasticidade nos pés pode impedir o uso de sapatos pela deformidade causada.

Entre as condições habitualmente associadas à espasticidade em crianças encontram-se a paralisia cerebral e, em adultos as lesões traumáticas da medula espinal e a esclerose múltipla.

Aproximadamente, 80 entre cada 100 pacientes com paralisia cerebral têm espasticidade, de maior ou menor intensidade. A espasticidade afecta, negativamente, os músculos e as articulações das extremidades, causando movimentos e posturas anormais e é especialmente prejudicial nas crianças em crescimento. Todos os anos surgem aproximadamente 200 a 250 novos casos de paralisia cerebral em Portugal

Cirurgia para o tratamento da espasticidade
A espasticidade pode dificultar as actividades do dia-a-dia e afectar negativamente as funções normais do doente.

Um dos métodos possíveis para tratar a espasticidade é a medicação antiespástica. No entanto, embora a medicação oral resulte em milhares de pessoas, alguns doentes podem necessitar de doses elevadas para controlar eficazmente a sua espasticidade.

Uma dose elevada do medicamento antiespástico pode causar efeitos secundários intoleráveis, como náuseas, vómitos, sonolência, confusão, problemas de memória e de atenção e, contudo, não produzir os resultados desejados. Para alguns destes doentes é mais eficaz administrar pequenas doses do medicamento antiespástico directamente no local onde este é necessário, através da implantação de uma bomba de infusão de medicamento

A utilização deste tratamento é recomendada para o tratamento da espasticidade grave que não é possível de controlar devidamente com a medicação oral.

A bomba é implantada cirurgicamente por baixo da pele do abdómen e ligada a um cateter fino e flexível que passa por baixo da pele até ao espaço intratecal na medula espinal, onde administra continuamente doses de medicação controladas de forma precisa para controlar a espasticidade do doente.

Como o medicamento é administrado directamente no local de actuação, são necessárias apenas pequenas doses (geralmente 100 vezes inferiores à dose oral equivalente). Como a quantidade de medicamento que passa a circular no corpo é muito reduzida, diminui a possibilidade de ocorrência de efeitos secundários indesejáveis.

Este sistema é colocado durante um procedimento cirúrgico que exige um curto internamento. A cirurgia demora habitualmente cerca de 1 hora e é executada sob anestesia geral.

Este tratamento diminui a espasticidade em 92% dos doentes e melhora a sua qualidade de vida.

Benefícios da bomba de infusão de medicamento
O tratamento da espasticidade através de uma bomba de infusão de medicamento implantada pode:
• melhorar as funções, incluindo a marcha quando possível, a higiene, as actividades diárias e facilitar a prestação de cuidados;
• diminuir a frequência dos espasmos, a dor e a fadiga;
• promover a redução do tónus, a amplitude de movimentos e melhorar a posição das articulações;
• aumentar a mobilidade;
• deve ser complementada com outros tratamentos, como a fisioterapia, a terapia ocupacional e a terapia da fala.

Paralisia Cerebral
A bomba de infusão de medicamento implantada ajuda a promover a autonomia nos cuidados pessoais e na interacção social e participativa.

Se for disponibilizada no momento certo, esta terapia pode reduzir a extensão das correcções de cirurgia ortopédica ou eliminar a necessidade de intervenções cirúrgicas futuras.

Os resultados de estudos realizados têm demonstrado que a redução do tónus muscular obtida com esta terapia pode atrasar ou impedir o desenvolvimento de problemas na anca, e inclusive da luxação.

Proporciona um controlo a longo prazo (mais de 3 anos) da espasticidade de origem cerebral, sendo os efeitos secundários habitualmente controlados por ajuste na dose.

Pode ser utilizado para tratar a espasticidade associada a uma série de doenças, como a paralisia cerebral ou a esclerose múltipla.

Fontes: Médicos de Portugal e RTP

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