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Anorexia em crianças

O que é a anorexia nervosa?O termo anorexia significa falta de apetite (vem do grego "orexis", prefixo que significa "apetite", precedido por "an", que significa "falta de, privação").
Trata-se de um distúrbio, uma perturbação da percepção do esquema corporal, ou seja, da auto-percepção da forma e/ou tamanho do corpo, o que leva a uma recusa alimentar.
Essa recusa leva, por sua vez, a uma diminuição significativa do peso corporal, apresentando em alguns casos aspecto corporal “cadavérico”. Ou seja, o paciente possui um peso muito inferior ao que deveria possuir para sua altura e idade.
Apesar de até há alguns anos a anorexia se manifestar essencialmente em adultos, em especial do sexo feminino, tem-se vindo a verificar que esta doença passou a atingir os jovens e também as crianças, de ambos os sexos.
Casos de anorexia em crianças são, assim, cada vez mais frequentes, estando a falta de apetite relacionada com este problema.
Convém referir que a fome está presente desde o nascimento do bebé e classifica-se como um impulso, enquanto que, por outro lado, o apetite depende de vários factores e é adquirido à medida que o bebé se desenvolve.
São várias as doenças que podem causar a falta de apetite, como, por exemplo, a tuberculose; as infecções crónicas ou agudas de repetição, como as amigdalites e as viroses; as infecções urinárias; a rinite e a sinusite alérgicas e ainda a carência de fero, de vitamina D e de zinco, não esquecendo o papel determinante dos distúrbios psicossociais.
Do ponto de vista emocional o problema envolve a dinâmica familiar, especialmente quanto ao modelo de mãe. Factores como a idade (ex. mães adolescentes), condição socioeconómica e outros, podem repercutir negativamente.
Erros de conduta alimentar são comumente detectados, tais como determinar a quantidade e o tipo de alimento que a criança deve ingerir, não podendo deixar restos no prato, o que corresponde à falta de respeito de sua individualidade.
Passam da insistência, com tentativa de distração, agrado ou chantagem, podendo chegar a ameaças e até ao uso da força física, “na base da chinela”, que pode gerar distúrbios nutricionais agudos ou anorexia verdadeira, com prejuízo do crescimento.
No futuro, a anorexia das crianças poderá causar problemas vários, como a osteoporose, e ser responsável por uma baixa estatura, assim como pela diminuição da fertilidade. Outras consequências, como a depressão, a vergonha, o sentido de isolamento, a quebra de confiança nos laços familiares, a interrupção da frequência da escola ou a obtenção de um desempenho mais fraco, poderão também afectar os jovens com anorexia.

Como reconhecer a anorexia em crianças?O transtorno não se manifesta da mesma forma que em adultos, por isso muitos pais têm dificuldade em identificá-la. Eis alguns de seus sinais:
  • As crianças, diferentemente dos adultos, não ficam com aspecto cadavérico. Elas apenas param de ganhar peso (a criança normal precisa ganhar peso gradualmente na fase de crescimento).
  • A criança começa a movimentar-se muito para perder peso: ajuda mais nas tarefas braçais em casa, sobe e desce escadas sem necessidade.
  • Recusa-se a participar em encontros com os amiguinhos, em locais onde a comida é uma das atracções principais, como piqueniques ou festas de aniversário.
  • Fica muito tempo na frente do espelho olhando o próprio corpo e começa a conversar mais sobre dietas e sobre como perder peso.
Alguns cuidados:
No dia-a-dia, o estudo e a comparação do peso e da estatura da criança em relação aos dados da curva de crescimento constituem bons recursos que permitem verificar se estes parâmetros estão normais.
É também fundamental ter em mente alguns cuidados como, por exemplo, incentivar a prática de actividades ao ar livre e de desportos às crianças com hábitos mais sedentários.
No entanto, antes das refeições não deverão ficar agitadas com actividades mais movimentadas e, pelo menos duas horas antes das refeições principais, deverão ser evitados os refrigerantes e as guloseimas.
É usual que as crianças escolham, por sua iniciativa, dietas ricas em calorias como resposta às suas necessidades, mas devem ser restringidos os alimentos consumidos em excesso, promovendo o consumo de outros como as frutas e os vegetais.
A utilização de técnicas de persuasão ou de castigos para obrigar à ingestão de comida é também desaconselhada.
A orientação e o acompanhamento dos pais e de todos os que mais de perto lidam com a criança são essenciais, particularmente nesta fase em que a personalidade ainda não se encontra completamente formada.
Os dados mais recentes evidenciam que a imagem que as crianças têm do seu corpo não é tão distorcida quanto a dos adultos.
Os factores mencionados contribuem para que a adesão ao tratamento, assim como o processo de recuperação possam obter melhores resultados nas crianças, em comparação com os adultos.
Alerta-se para o facto de que 20% dos casos de anorexia culminam em morte.

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