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Alterações da linguagem predominantemente funcional

Aqui incluem-se todas as alterações da linguagem oral resultantes de distúrbios emocionais, havendo integridade anatómica dos centros e das vias de condução da linguagem. As principais alterações deste tipo são:

Disfemias
São perturbações intermitentes na emissão das palavras, sem que existam alterações dos órgãos da expressão. Neste grupo de transtornos da linguagem o distúrbio mais importante é a gaguez (tartamudez). A disfemia é uma desordem da comunicação humana e caracteriza-se por hesitação, silabação, precedida ou intercalada dos fonemas qui, que, ga, gue.

A gaguez revela a tendência de aumentar ou diminuir sob a influência da emoção. Segundo o dicionário, gaguejar é falar com repetições, pronunciar as palavras com hesitação e sem clareza de sons mas, na realidade, a gaguez está muito além do simples acto de falar com bloqueios e/ou repetições. Ocorrem com os gagos fenómenos que não conseguimos observar, como o conflito de falar e não falar, o medo de algumas palavras, a ansiedade em certas situações de fala, auto-defesa, entre outros.

Segundo um gago famoso (Blodstein) que estudou o assunto a fundo, a gaguez é o resultado da reacção de luta interior do indivíduo que fala. A definição exacta do fenómeno sempre trouxe dificuldades porque a única pessoa que sabe o que realmente é a gaguez é o próprio gago .
Apesar de existirem muitas dúvidas sobre a causa da gaguez e o método ideal de tratamento, esse costuma passar pelo melhor ajustamento social e emocional, não evitar as situações onde se deve falar, evitar dizer determinadas palavras, acalmar-se e trabalhar o medo e a auto-confiança.

Disfonias
Não se trata, propriamente, de alteração da linguagem, mas de defeitos da voz consequentes a perturbações orgânicas ou funcionais das cordas vocais ou, ainda, como consequência de uma respiração defeituosa. Seria então, a disfonia, um distúrbio da voz, como rouquidão, soprosidade ou aspereza. A disfonia é subdividida em:

a) Disfonia funcional: alteração da voz resultante de abuso vocal ou mal uso. Não apresenta qualquer causa física ou estrutural.

b) Disfonia orgânica: alteração da voz, causada ou relacionada a algum tipo de condição laringiana ou doença.

Logorreia
Diz Antoine Porot que a arte de falar muito e não dizer nada não é atributo apenas de alguns tipos de doentes mentais. Na vida comum encontramos muitos charlatães cuja incontinência verbal poderia ser comparada a uma forma menor e de certo modo subnormal da logorreia: o palavrório feminino fútil e inconsistente de certas reuniões sociais, a facúndia e conversa cínica de certos embusteiros, as explicações discursivas intermináveis de propagandistas e vendedores.

A disposição hipomaníaca pode representar um estado permanente, de forma moderada, compatível com a vida social. Assim, um indivíduo de tipo hipomaníaco pode despertar a atenção sobre a sua pessoa pela maneira incessante como fala, não dando oportunidade ao interlocutor para contestá-lo, falando em tom de voz elevado, gesticulando muito e, sobretudo, logorreico.
Na excitação maníaca verifica-se o fluxo incessante e incoercível de palavras, emitidas sem coesão lógica, que se acompanha de aceleração do ritmo psíquico e de elevação do estado de ânimo.
A logorreia é comum em todos os casos de excitação psicomotora, principalmente nos estados maníacos e hipomaníacos; na embriaguez alcoólica; em casos de demência senil a logorreia está reduzida, muitas vezes, a um verbigeração incoerente.

Bradilalia
Consiste numa diminuição da velocidade de expressão, como resultado da lentidão dos processos psíquicos e do curso do pensamento. Observa-se no parkinsonismo pós-encefalítico, em casos de epilepsia pós-traumática.

Verbigeração
É a repetição incessante durante dias, semanas e até meses, de palavras e frases pronunciadas em tom de voz monótono, declamatório ou patético. É observada nos estados demenciais, em psicoses confusionais e na esquizofrenia, especialmente na forma catatónica.

Mutismo
Mutismo é a ausência de linguagem oral. O mutismo tem origem e mecanismos variados. Nas doenças mentais, é observado nos estados de estupor da confusão mental, da melancolia e da catatonia; nos estados demenciais avançados, na paralisia geral e na demência senil. Na esquizofrenia, o mutismo adquire uma importante significação. Pode decorrer, nesse caso, de interceptação do pensamento, de perda de contacto com a realidade, de alucinações imperativas ou de ideias delirantes de culpabilidade. Com muita frequência, os catatónicos não falam nem respondem ao interrogatório, dando-nos a impressão de que se encerram voluntariamente no mais completo mutismo.

Mussitação
É a expressão da linguagem em voz muito baixa; o doente movimenta os lábios de maneira automática, produzindo murmúrio ou som confuso. É um sintoma próprio da esquizofrenia.

Ecolalia
Ecolalia é a repetição, como um eco, das últimas palavras que chegam ao ouvido do doente. Em condições patológicas, observa-se nos catatónicos. O fenómeno tem muita semelhança com a perseveração do pensamento, observada nos epilépticos. Os doentes repetem como um eco não só as palavras que lhes são dirigidas, como partes de uma frase que escutam ao acaso. Não se pode fazer distinção clara entre a ecolalia manifestada por um esquizofrénico crónico e um doente portador de um transtorno cerebral orgânico, pois ambos os doentes podem ter em comum uma notável alteração dos processos intelectuais e da intencionalidade.

Esquizofasia
É uma expressão criada por Kraepelin para designar uma profunda alteração da expressão verbal, observada em alguns esquizofrénicos paranóides, em resultado da qual a linguagem se torna confusa e incoerente, sem que existam alterações graves do pensamento. Na sua forma mais acentuada, a linguagem apresenta-se como uma salada de palavras, em que o doente emprega neologismos e palavras conhecidas com sentido desfigurado, tornando o discurso inteiramente incompreensível.

Neologismo
Neologismos são palavras criadas ou palavras já existentes empregadas com significado desfigurado. Pode ser um sintoma comum na esquizofrenia.

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