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Bulimia

A Bulimia Nervosa é um distúrbio alimentar grave. Caracteriza-se por episódios de ingestão compulsiva que consistem em comer, num curto período de tempo, uma quantidade anormalmente grande de comida, com a sensação de perda de controlo. Nestes episódios as doentes ingerem habitualmente comida que consideram "proibida" (como doces e hidratos de carbono). Estas doentes têm ainda comportamentos compensatórios como vomitar, usar laxantes, diuréticos ou outros medicamentos, fazer jejum e exercício físico excessivo.
Os episódios de ingestão compulsiva habitualmente começam durante ou após uma dieta restritiva. Estes episódios originam reacções emocionais negativas que muitas vezes precipitam os comportamentos de purga (vómitos, laxantes, diuréticos). As bulímicas quando têm os episódios de empanturramento e os comportamentos de purga sentem muita vergonha e culpabilidade. Habitualmente mantêm a sua doença em segredo (mesmo em relação aos seus familiares mais próximos) e procuram tardiamente ajuda especializada.
Estas doentes manifestam insatisfação com o seu corpo e desejos de serem mais magras. Habitualmente têm um peso normal (ou ligeiramente acima ou abaixo do peso normal), mas acham-se gordas, especialmente em determinadas partes do corpo.
Estas doentes apresentam uma auto-estima baixa, tendem a ser perfeccionistas, tímidas, pouco auto-afirmativas e a ter dificuldades no relacionamento interpessoal.
A Bulimia Nervosa pode associar-se com sintomatologia depressiva e ansiosa, isolamento social, comportamento impulsivo e comportamentos aditivos (por ex., abuso de álcool e drogas).

Tratamento
O tratamento do distúrbio alimentar (tal como na anorexia) é complexo, moroso e especializado, reconhecidamente difícil, em que a eficácia do protocolo terapêutico depende da existência de condições adequadas e de uma equipa multidisciplinar que funcione de forma a lidar, eficazmente, com os aspectos psicológicos, psiquiátricos, médicos e sociais destes distúrbios.A intervenção terapêutica mais validada empiricamente e com melhores resultados terapêuticos (diminuição da sintomatologia e diminuição da taxa de recaída) é o tratamento cognitivo-comportamental. O modelo conceptual subjacente permite uma compreensão e formulação dos distúrbios alimentares, com base na natureza interactiva dos vários factores de risco, precipitantes, manutenção e de protecção.
O tratamento cognitivo-comportamental em termos gerais, faz-se em três etapas:

  1. Recuperação do peso e regularização do padrão alimentar;
  2. Reestruturação cognitiva;
  3. Prevenção da recaída.
As decisões relativas ao tratamento, em cada etapa são tomadas de acordo com alguns critérios fundamentais:
  • Idade da jovem
  • Contexto da vida actual
  • Duração e evolução do distúrbio
  • Sintomatologia actual
  • Tratamentos anteriores
  • Personalidade prévia (depressão, problemas do controlo do impulso, etc.).
  • Estado físico
Habitualmente o tratamento cognitivo-comportamental é feito em regime de ambulatório, podendo em determinadas situações específicas (ex., perda de peso progressiva e acentuada com sérias complicações físicas, existências de índices elevados de psicopatologia, etc.) ser necessária a hospitalização.
Dados da unidade psiquiátrica de distúrbios alimentares dos H.U.C.

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