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Consequências do uso da chupeta

Sabe-se que o uso da chupeta, ou dispositivo de sucção com a finalidade de acalmar a criança, foi adquirido culturalmente, evoluindo de soluções artesanais tais como “embrulhinhos” de tecidos feitos com recheio doce ou açúcar, até os modelos industrializados de látex ou silicone, de múltiplos formatos, cores e preços oferecidos actualmente e que, muitas vezes, já fazem parte do enxoval do bebé.

A sucção é um reflexo primitivo de grande importância que ocorre desde a vida intra-uterina. Sua ocorrência durante a amamentação proporciona ao recém-nascido a sobrevivência, além de estabelecer o vínculo afectivo com a mãe.
Um dos aspectos mais relevantes é que a criança, ao mamar, procura atingir, com a sucção, satisfação alimentar e muscular, porém, esta condição nem sempre é conseguida simultâneamente.

A obtenção desta dupla satisfação é alcançada pelos bebés que são amamentados pelo aleitamento natural; assim, a amamentação materna acaba saciando, ao mesmo tempo, a necessidade alimentar e de sucção, originando um bebé satisfeito.
Porém, nas crianças com aleitamento artificial, que usam biberão, a plenitude alimentar será atingida, mas não a plenitude neural (muscular), e serão justamente estas crianças que poderão necessitar de um complemento para esta sucção, e nesses casos a chupeta poderá ser usada para complementar esta necessidade de sucção, e não simplesmente para acalmar a criança.

Ao optar-se pela utilização da chupeta, opta-se também pelo seu uso racional para que não se instale um hábito.

Consequências do uso da chupeta
O uso da chupeta, geralmente, não deve ser recomendado, pois são inúmeras as consequências danosas dos hábitos de sucção não nutritivos para o desenvolvimento oro-facial.

O uso da chupeta pode promover o desmame precoce, pois a posição de língua para a sucção da chupeta é diferente daquela realizada para a amamentação. O posicionamento da língua para a sucção da chupeta é mais fácil e, na hora da amamentação, o bebé colocará a língua nesta posição e não conseguirá retirar o leite, chorando de fome, rejeitando o peito.

O hábito de sucção pode causar alterações morfológicas na movimentação de língua e musculatura perioral, tornando-as flácidas, o que dificulta a mastigação e a deglutição.

As alterações também poderão ocorrer no palato duro, levando ao desenvolvimento de uma respiração bucal, que pode ser responsável por alteração de postura e sono agitado com ronco, deixando a criança cansada, sem vontade de brincar e desatenta, contribuindo assim para dificuldades escolares.

Em relação aos dentes, o hábito de chupar chupeta também pode causar a mordida aberta anterior e mordida cruzada posterior. A criança fica com a face desarmónica e a oclusão incorrecta, o que contribui para dificuldades na deglutição e linguagem oral.

Deve-se salientar que a severidade dos efeitos nocivos decorrentes do uso das chupetas é dependente de alguns parâmetros como a duração (período de utilização), frequência (número de vezes ao dia) e intensidade (duração de cada sucção e grau de actividade dos músculos envolvidos) do uso da chupeta.

Além disso, outros factores também podem influenciar nas consequências do seu uso: a idade do término do hábito, o padrão de crescimento da criança e o grau de tonicidade da musculatura bucofacial.

Quando a chupeta for utilizada, deve-se dar preferência às chamadas chupetas “ortodônticas”, que são aquelas que possuem um formato anatómico, que se adapta à cavidade bucal da criança, ajustando-se ao palato e à língua, possibilitando um acompanhamento do movimento de sucção. O tamanho da chupeta também deve ser compatível com a cavidade bucal.

Por conseguinte, deve-se enfatizar que a indicação para o uso de chupetas é restrita. O aleitamento natural deve ser incentivado, o que irá diminuir a necessidade da sucção extra.

Fonte: MacSaúde2

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