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Desenvolvimento motor

O desenvolvimento motor, ou seja, dos movimentos e sensações, inicia-se muito antes do nascimento, ainda durante a gestação do bebé.
Na infância a psicomotricidade vai potencializar o desenvolvimento da função simbólica; o desenvolvimento de habilidades corporais como o equilíbrio, coordenação, dissociação, orientação espacial e temporal - devendo-se, para tal, praticar uma acção pedagógica desinibidora, que proporcione situações receptivas, seguras e gratificantes; e a elaboração da noção corporal, uma vez que com um melhor entendimento sobre si mesma, a criança capacita-se para uma melhor compreensão em relação às outras pessoas e ao seu ambiente/envolvimento.

A promoção e estimulação do movimento, incluindo a melhoria e a manutenção de competências de autonomia ao longo de todas as fases da vida são os melhores instrumentos para educar uma criança e desenvolvê-la plenamente ao nível físico e motor; a estreita relação entre o desenvolvimento físico e psicológico implica que as crianças sejam acompanhadas pelos pais, familiares, educadores e que ambos os aspectos sejam valorizados e trabalhados em conjunto, já que esta é uma área vital para que o sucesso escolar e pessoal seja alcançado.
Sensação e movimento: as áreas motoras localizadas no cérebro
O encéfalo é dividido em dois hemisférios, cada um deles com o controlo sobre um lado do corpo – o hemisfério esquerdo controla os movimentos da parte direita do corpo e o hemisfério direito controla os movimentos do lado esquerdo. Este facto vai ter especial importância na lateralidade e na definição da mesma em cada criança.

Além desta divisão que pode ser feita, sabe-se ainda que cada hemisfério se divide em quatro lobos com funções específicas, sendo estes os lobos parietais, occipitais, frontais e temporais.
Os lobos frontais (direito e esquerdo) situam-se na parte da testa e são eles os responsáveis pelas funções de planeamento e de antevisão de funções mais intelectuais, mas são também a sede do córtex motor e córtex pré-motor, responsáveis pelos movimentos.
O córtex motor é responsável pelo controlo e coordenação da motricidade voluntária.
O córtex pré-motor é responsável pela aprendizagem motora e pelos movimentos de precisão.
Cabe ao córtex do cerebelo fazer a coordenação geral da motricidade, manutenção do equilíbrio e postura corporal.
Por fim, a área somatossensorial (situada no lobo parietal) implica também na nossa motricidade, já que recebe as informações que têm origem na pele e nos músculos e as coordena, para que se processe uma resposta. Estes movimentos processam-se porque houve um estímulo do meio, por via de sensações.

Movimentos e percepção
A percepção do espaço e do ambiente que nos rodeia é uma capacidade fundamental para que as funções motoras se desempenhem correctamente por parte do indivíduo.
A percepção de profundidade é inata ou apreendida muito precocemente.

Lateralidade é a capacidade de controlar os dois lados do corpo juntos ou separadamente. É importante que exista a percepção da diferença entre direita e esquerda, é necessário também que se tenha noção de distância entre elementos posicionados tanto do lado direito como do lado esquerdo.
A lateralidade define-se pela preferência pela utilização de uma mão para desenvolver determinadas tarefas.
Esta preferência começa a manifestar-se aos 3 anos, durante o processo de maturação motora infantil, e geralmente prolonga-se pelo resto da vida. Em pessoas cujo cérebro seja simétrico, o lado direito tende a ser dominante, o que faz com que sejam canhotas. A lateralidade, como se sabe, nem sempre está definida de forma clara, já que nem toda a gente prefere a mesma mão para todas as coisas. Existem já testes que procuram determinar a lateralidade da criança, e que podem ser muito úteis para detectar as preferências da criança desde muito cedo.

As diferenças de género nas competências motoras
Inúmeros estudos já demonstraram que os rapazes necessitam de mais actividade física do que as raparigas, uma vez que têm mais tendência a ficarem irrequietos e a concentrarem-se durante períodos mais curtos de tempo nas actividades mais calmas.
No entanto, as diferenças entre as competências motoras femininas e masculinas são muito poucas, mas tendem a acentuar-se coma a aproximação da puberdade.
As diferenças encontradas podem dever-se a vários factores:
· Crescimento dos rapazes em tamanho e força, enquanto que as raparigas crescem em corpulência;
· Diferentes expectativas culturais e experiências para rapazes e raparigas;
· Diferentes níveis de treino e taxas de participação influenciadas pela cultura.

Competências como apanhar, atirar e fintar uma bola têm de ser aprendidas, e o que acontece é que, às raparigas, em geral não são ensinadas. Como tal, os rapazes tornam-se melhores nessas áreas de desempenho motor, apesar de ambos os géneros terem capacidades semelhantes.

Influências ambientais no desenvolvimento motor
Uma famosa experiência, realizada por Arnold Gesell, em 1929, consistiu no treino de apenas um gémeo monozigótico, e não o outro, na subida de escadas, construção de blocos e coordenação das mãos. À medida que as observações foram feitas e que as crianças cresceram, verificou-se que o gémeo que não tinha sido treinado estava ao mesmo nível que o gémeo treinado o que, por Gesell, foi interpretado como a “poderosa influência da maturação”.
No entanto, estudos posteriores revelam que o treino precoce de uma determinada competência pode influenciar o desenvolvimento. De acordo com os autores deste estudo, as diferenças existem talvez porque haja um período crítico durante o desenvolvimento, durante o qual a resposta repetitiva da marcha no recém-nascido possa vir a ser traduzida numa acção voluntária posterior.
Outra pesquisa foi feita, com selecção aleatória dos participantes e com o objectivo de averiguar se os efeitos de um treino são limitados à capacidade treinada. Verificou-se que os bebés treinados davam mais passos do que os bebés que não tinham sido treinados nisso; e os bebés treinados, apenas a dar passos ou a sentar-se, sentavam-se mais.

Primeiros reflexos do bebé
Os reflexos são respostas involuntárias e imediatas, de estruturas como os músculos ou as glândulas, a um estímulo de um determinado receptor.
A origem e utilidade desses reflexos podem estar associadas a instintos de sobrevivência, ou a objectivos de exploração do meio e aprendizagem.
Por exemplo, o reflexo de sucção é necessário à alimentação do bebé, enquanto que o reflexo de preensão pode fazer parte do legado da evolução humana, já que é através dele que os bebés macacos se agarram ao pêlo das suas mães.
Aquando do nascimento, o bebé apresenta mais de 70 tipos de reflexos, contudo apenas sete são testados pelo médico:

O reflexo de preensão:
Os bebés tendem a agarrar tudo aquilo que lhes é colocado perto da mão ou na sola do pé. Para alguns, este reflexo é tão forte que chegam a poder ser levantados pelos dedos (nunca se deve fazer isto). Como já referido, o mesmo acontece quando se lhe toca na planta dos pés.
Geralmente, o reflexo da preensão desaparece por volta dos 5 meses, podendo a criança continuar a curvar os dedos dos pés até à idade de um ano.
O reflexo de preensão plantar (nos pés) pode também ser chamado reflexo de Babinski.

O reflexo de alimentação e bolçar:
Os bebés sentem a necessidade de se alimentarem, e por isso tendem a movimentar a boca no sentido da fonte de alimentação, ficando de boca aberta e prontos a mamar; este reflexo desaparece após alguns meses, quando o bebé aprende de onde vem a comida que ingere e já sabe antecipar a sua hora. Engolir e bolçar são também importantes reflexos que o bebé possui.

O reflexo de sucção:
Quando um objecto é colocado na boca do bebé, ele tende imediatamente a chupar nele. Este movimento acontece mesmo que ele não tenha fome e desaparece após alguns meses, quando a criança for já capaz de associar a mamada à satisfação da fome.

O reflexo de Moro:
Este reflexo, também chamado de reflexo do “susto”, deve o seu nome ao pediatra alemão que estudou este mecanismo em 1918. Consiste numa resposta instintiva que se dá quando o bebé se sente desequilibrado e em perigo. O bebé assusta-se e pensa que vai cair ou ser largado, como por exemplo quando os pais o colocam no berço muito depressa. O recém-nascido tem tendência para levantar os braços e pernas, arqueando as costas e voltando a enrolar-se novamente, com os dedos esticados como que procurando agarrar-se e geralmente emitindo um pequeno grito; este reflexo também tende a desaparecer no terceiro mês de vida.

O reflexo da marcha:
Ao colocar um bebé de pé, em cima de uma mesa ou no chão, logo a partir do quarto dia, ele tem tendência para se tentar firmar nas pernas e dar alguns passos. Este reflexo desaparece por volta de um mês e nada tem a ver com aprender a andar; esta capacidade só vai ser alcançada no final do primeiro ano, quando o bebé começa a tentar dar os primeiros passos.

O reflexo de gatinhar:
Quando o bebé está de barriga para baixo, assumirá uma posição de gatinhar, com o rabo para cima e os joelhos flectidos sob o abdómen. Ao esticar as pernas, pode esboçar um gatinhar. No entanto, este comportamento desaparecerá quando conseguir deitar-se ao comprido, sem dobrar as pernas, normalmente por volta dos 2 meses.

O reflexo lateral:
Se a cabeça do bebé for virada para um lado, o corpo do mesmo, desse lado, principalmente o braço e a perna, tem a tendência para se endireitar enquanto a outra metade do corpo se encurva. O objectivo deste reflexo é pouco óbvio, sendo algumas vezes atribuído aos movimentos voluntários associados ao virar de lado que o bebé poderá executar mais tarde, tendendo a desaparecer no sexto mês de vida.

O reflexo natatório:
Se se colocar o bebé dentro de água, com a cara virada para baixo, este faz movimentos de natação bem coordenados. No entanto, este reflexo não se testa nem é muitas vezes perceptível, devido aos riscos de afogamento que pode acarretar.
Estes reflexos primitivos do recém-nascido desaparecem, em regra, durante o primeiro ano de vida da criança.
No entanto, outros reflexos que têm uma função protectora (como pestanejar, tossir, bocejar, reagir ao engasgo, espirrar, tremer e o reflexo pupilar (dilatação as pupilas no escuro) permanecem.

O desaparecimento dos reflexos primitivos no tempo adequado é sinal de que o córtex está a amadurecer, pelo que é importante que estes reflexos sejam verificados por um médico. Os reflexos começam a tornar-se em comportamentos voluntários, iniciando-se assim o desenvolvimento psicomotor.

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