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Distúrbios de ansiedade infantil

Os distúrbios da ansiedade estão entre as principais causas de consultas médicas em todo o Mundo. (Enquanto você lia esta primeira frase, mais de 8 pessoas foram atendidas com queixas relacionadas à angústia, tristeza, nervosismo, irritação e similares).
Infelizmente, os distúrbios da ansiedade não são um problema exclusivo do universo adulto: eles afectam 13 de cada 100 crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos de idade. As meninas são mais acometidas que os meninos e, em metade dos casos, as crianças apresentam ansiedade associada a depressão.
A ansiedade é um sentimento natural, tanto na infância como em qualquer outra etapa da vida.
Crianças de 8 meses de idade podem apresentar sintomas de ansiedade sempre que se separam dos pais - isto é normal.
Entre os 6-8 anos de idade, a ansiedade volta-se para o desempenho escolar e o relacionamento com os pares. Crises de ansiedade também podem ocorrer quando a criança passa por mudanças significativas como troca de escola ou de casa, falecimento de ente queridos, chegada de novos irmãos, separação dos pais e etc.
O limite da normalidade do nível de ansiedade está na sua repercussão sobre o comportamento. Crianças não devem ser excessivamente preocupadas ou apreensivas com o futuro. Não é típico de uma criança apresentar frequentemente dores de cabeça, náuseas, vómitos, falta de ar, diarreia, palpitações, dificuldade de concentração, agressividade ou medos em excesso. Se isto está a acontecer - e parece estar associado a situações específicas - é bem possível que a criança esteja a sofrer de algum distúrbio de ansiedade, justificando uma avaliação médica.
A ansiedade infantil pode ser causada por problemas psicológicos, alterações nos transmissores químicos cerebrais, doenças na tireóide, infecções e até mesmo factores genéticos (estudos mostraram que 50% dos pacientes com síndrome do pânico possuem pelo menos um parente portador de distúrbios de ansiedade).
O diagnóstico quase sempre é simples, e o tratamento envolve acompanhamento psicológico e uso de certos fitoterápicos. Os medicamentos controlados devem ser considerados a última opção.
Em todos os casos, o papel dos pais e cuidadores é essencial para o sucesso do tratamento.

O que fazer para reduzir as crises de ansiedade na infância?

Seja uma porta aberta

  • Não julgue, ajude. Crianças excessivamente ansiosas precisam de apoio e expectativas positivas, mas só irão procurar a sua ajuda se tiverem certeza de que não serão hostilizadas ou ridicularizadas.
  • Cobre disciplina na mesma medida em que você demonstra seu afecto, e certifique-se de que sua disciplina está a ser passada num formato motivador (por exemplo: amedrontada, a criança se recusa a ir para a nova escola. Poderá dizer "vamos lá, será divertido, você consegue, irá fazer novos amigos!").

Retire o excesso de peso

  • Uma criança de 11 anos ainda é apenas uma criança, não a miniatura do adulto que você gostaria que ela fosse. Não cometa o erro (terrível) de impor o seu nível de maturidade às responsabilidades dela.
  • O excesso de carga também diz respeito às estratégias de confrontamento utilizadas por muitos pais.
  • O mais recomendável é liderar pelo exemplo (por exemplo, se a criança fica aterrorizada com cachorros, você não precisa atravessar a rua toda vez que avistar um. Segure a mão da criança, mantenha tranquilamente o seu rumo e passe a mensagem correcta: nada de fobias). Não confronte, mas também não evite. O segredo em todas as situações é combinar bom senso com perseverança, contando sempre com a ajuda do tempero mais precioso da educação, o tempo.

Cuidados com os estimulantes

  • Reduza ou elimine por completo o consumo de cafeína, refrigerantes e bebidas muito açucaradas, principalmente à noite. Alguns medicamentos para alergia, asma e rinite possuem substâncias estimulantes na sua fórmula. Muito cuidado com eles.

Criança saudável, sono saudável, e vice-versa

  • Procure criar uma rotina de actividades durante o dia, evitando cochilos fora de hora e preservando um certo ritual para a hora de dormir. Nada de televisão ligada a noite toda ou refeições pesadas antes de ir para a cama.

Considere o inconsiderável

  • De repente, você é um pai ou mãe ou cuidador ou professora exemplar, mas ainda assim enfrenta uma criança ansiosa quase ao ponto do intratável. Apesar de todos os seus esforços, apesar de todos os exames médicos e medicamentos caros, nada parece adiantar.
  • Por mais triste que a verdade possa ser, a ansiedade infantil pode esconder a ocorrência de maus tratos ou abusos sexuais por parte de pessoas "acima de qualquer suspeita". Se este for o caso, jogue aberto, converse com a criança e procure orientações junto do psicólogo ou pediatra responsável.

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