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terça-feira

Hepatites A, B e C

A hepatite é uma inflamação do fígado, que pode ser causada por vários factores: agentesmicrobianos, principalmente vírus, medicamentos, álcool, tóxicos, etc.
A principal causa é, sem dúvida, a infecção viral. Dependendo do tipo de vírus que causa a hepatite, esta designa-se de hepatite A, B, C, D, E, G; existem contudo, outros vírus, causadores de outras doenças, que também podem provocar inflamação do fígado, como por exemplo: vírusherpes, vírus da varicela, vírus da rubéola, adenovirus, entre outros.

Hepatite A
A infecção pelo vírus da hepatite A é a causa mais frequente de hepatite em idade pediátrica.

Como se transmite a hepatite A
O vírus da hepatite A é adquirido através da boca e multiplica-se no fígado, sendo depois eliminado pelas fezes.
A pessoa infectada elimina vírus nas fezes ainda durante o período de incubação, ou seja, quando ainda não tem sintomas e não sabe que está doente. Assim, a transmissão do vírus da hepatite A faz-se principalmente pessoa-a-pessoa, por via fecal-oral, e através da ingestão de água e alimentos contaminados.
Sempre que não exista uma rede adequada de saneamento básico, nem se cumpram as regras de higiene individual, criam-se condições para a propagação deste vírus.

As crianças têm um papel preponderante na transmissão da hepatite A, não só porque têm muitas vezes a doença que passa despercebida, mas também porque eliminam grandes quantidades de vírus e durante mais tempo que os adultos.
A transmissão do vírus da hepatite A por via sexual ou através do sangue é rara.
Sendo a principal via de transmissão deste vírus a via fecal-oral, esta infecção é muito mais frequente em países em desenvolvimento, onde as pessoas vivem em situações precárias, com más condições de higiene, sem saneamento básico e com baixo nível sócioeconómico.

Realidade em Portugal
A prevalência desta infecção está directamente relacionada com as condições de higiene e sanitárias das populações. Deste modo, é muito mais frequente nos países em desenvolvimento, onde o contacto com o vírus ocorre na infância. Nos países desenvolvidos, nos quais Portugal está incluído, devido às condições de higiénicas e socioeconómicas, as crianças raramente são infectadas e chegam à idade adulta ainda susceptíveis à infecção uma vez que não desenvolveram imunidade natural.

Quais são os sintomas e como evolui
Após o contágio com o vírus da hepatite A, há um período em que a pessoa infectada não tem sintomas, designado por período de incubação, de duração variável (30 dias, em média), que culmina com o aparecimento dos primeiros sintomas: mal-estar, falta de forças, náuseas, diminuição do apetite, dores de barriga e febre. Mais tarde, na evolução da doença surge a icterícia, isto é, a pele e os olhos ficam amarelados.

De início, a hepatite pode ser confundida com uma gripe, uma vez que os sintomas sãos emelhantes. Na grande maioria dos casos, os sintomas regridem progressivamente até à cura, ficando a pessoa imune para a doença.
Contudo, é de realçar que na maioria das crianças a hepatite A pode ser assintomática, isto é, a criança esta infectada com o vírus mas não tem qualquer sintoma, passando por isso a doença despercebida. A criança não deixa, no entanto, de eliminar vírus nas fezes e ser contagiosa.
A gravidade da doença aumenta com a idade. Nos adultos os sintomas são mais frequentes e de maior gravidade.

Como se diagnostica a hepatite A
Esta doença é diagnosticada mediante a realização de análises ao sangue, que permitem avaliar o “estado” do fígado e identificar qual o vírus que está a causar a hepatite.

Como se trata a hepatite A
Não há tratamento específico para a hepatite A, ou seja, não há medicamentos para combater directamente o vírus que a causa. Devem-se tomar, no entanto, medidas que melhorem o bem-estar dos doentes.
Assim, recomenda-se: repouso e uma dieta equilibrada. Estes doentes não necessitam de fazer uma dieta especial, mas as gorduras são por vezes mal toleradas.
Como o fígado está inflamado, perde a capacidade de transformar medicamentos e alguns podem tornar-se, nesta situação, tóxicos e agravar a doença. Não se deve, por isso, tomar medicamentos excepto se receitados pelo médico.

A criança/adulto com hepatite A não deve frequentar o infantário/ escola/ emprego durante a fase aguda da doença. A pessoa infectada com o vírus da hepatite A é contagiosa durante cerca de 7 dias após o início da icterícia.
Na ausência de um tratamento específico para a hepatite provocada pelo vírus da hepatite A, a prevenção assume um papel preponderante.

Prevenção da hepatite A
A prevenção da transmissão da doença passa, essencialmente, por um conjunto de normas ou regras de higiene individual e colectiva.
- Os cuidados de higiene individual são fundamentais, nomeadamente, lavagem das mãos quando se utilizam as instalações sanitárias, quando se mudam as fraldas às crianças e antes das refeições ou de preparar qualquer alimento.
- Os alimentos que se comem crus, por exemplo as saladas e as frutas, devem ser cuidadosamente lavados e descascados pelo próprio.
- Não beber água não potável, nem utilizar gelo de origem duvidosa.
- O marisco (amêijoas, mexilhões, bivalves) deve ser sempre muito bem cozinhado.
Isto porque o vírus da hepatite A é extremamente resistente ao frio, a temperaturas moderadas, a ambientes ácidos e a detergentes comuns, sendo inactivado pela lixívia e pela fervura a 85ºC, durante 1 minuto.

Para além destas medidas de carácter geral, existem ainda outras medidas específicas, nomeadamente, a vacina contra o vírus da hepatite A (administrada apenas quando por aconselhamento médico).
Esta vacina é eficaz e segura. Esta vacina não faz parte do Programa Nacional de Vacinação (PNV), ao contrário da vacina contra a hepatite B.
É importante dizer que, em Portugal a vacina contra o vírus da hepatite B faz parte do PNV mas que o facto de ter vacinado a criança contra a hepatite B não os protege, de alguma forma, contra a hepatite A nem contra a hepatite C.

Hepatite B
Outra causa de hepatite é a infecção pelo vírus da hepatite B. A hepatite B tem uma distribuição mundial. Os sinais e sintomas são semelhantes ao de hepatite A mas, ao contrário desta que é benigna e auto-limitada, a hepatite B pode evoluir para acronicidade.

Como se transmite o vírus da hepatite B
O vírus da hepatite B é transmitido por via sexual, pelo sangue e de mãe para filho. Assim os grupos de maior risco de infecção são: crianças de mães infectadas pelo vírus da hepatite B; consumidores de drogas intravenosas que partilhem agulhas; parceiros sexuais de indivíduos infectados; indivíduos com vários parceiros sexuais; indivíduos em instituições; profissionais de saúde e indivíduos sujeitos a múltiplas transfusões de sangue.

Não se transmite pelo suor ou pela saliva, por aperto de mão, abraços, beijos ou por utilizar pratos ou talheres de pessoas infectadas.

Os filhos de mães infectadas com o vírus da hepatite B podem ser amamentados?
Estes bebés devem ser vacinados com a vacina contra a hepatite B à nascença, após o que não existe risco de transmissão pelo aleitamento materno.

Prevenção da hepatite B
As principais formas de evitar o contágio são: evitar o contacto com sangue infectado ou de quem se desconheça o estado de saúde, não partilhar objectos cortantes ou perfurante, nem instrumentos utilizados para a preparação de drogas injectáveis e usar sempre preservativo nas relações sexuais.
A realização de tatuagens e a colocação de “piercings”, assim como, tratamentos de acunpunctura só deve ser realizada se os instrumentos utilizados estiverem adequadamente esterilizados
E existe a vacina contra a hepatite B que está incluída no PNV.

Hepatite C
A hepatite C emergiu nas últimas décadas como uma das mais importantes causas de doença hepática crónica.

Principal via de transmissão do vírus da hepatite C
O vírus da hepatite C transmite-se, principalmente, por via sanguínea.
Nos últimos anos, com a adopção de medidas de rastreio sistemático de todas as dádivas de sangue, o risco de hepatite C pós-transfusional tornou-se praticamente desprezível. A toxicodependência de drogas injectáveis é hoje o principal factor de risco de infecção pelo vírus da hepatite C.
A transmissão por via sexual é pouco frequente, contudo a actividade sexual precoce e promíscua, sem barreiras protectoras e com co-infecção pelo vírus da SIDA, associa-se a um risco aumentado de infecção pelo vírus da hepatite C. O risco de transmissão de mãe para filho é de cerca de 4 a 7% e ocorrerá, muito provavelmentena altura do parto.

É importante salientar que esta infecção não se transmite através de um beijo, de um abraço, da partilha de copos ou talheres ou de um espirro.

Uma mãe com esta infecção pode amamentar o seu filho?
Como não está provada a transmissão do vírus da hepatite C pelo leite materno, a amamentação não está contra-indicada, já que em teoria, o vírus só poderia ser transmitido se se juntassem duas situações: a existência de feridas nos mamilos da mãe e de feridas na boca da criança.

Prevenção da infecção pelo vírus da hepatite C
Não existe nenhuma vacina contra este vírus.
Recomenda-se: não partilhar agulhas, seringas ou outro material utilizado na preparação da droga ou da injecção; usar sempre preservativos quando se tenham múltiplos parceiros ou relações de risco; os familiares dos doentes infectados não devem partilhar objectos potencialmente contaminados, como, lâminas, escovas de dentes, tesouras, etc.

Fonte: Serviço de Pediatria do Hospital do Espírito Santo de Évora

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