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terça-feira

PECS - Picture Exchange Comunication System

O sistema de intercâmbio de imagens PECS foi desenvolvido ao longo dos anos, juntamente com outros programas de comunicação, para ajudar a comaltar as dificuldades de linguagem e comunicação evidenciadas.

O PECS é fácil de aprender a usar por terapeutas, professores e pais. Não requer materiais complexos ou treino altamente técnico. Não requer equipamento de alto custo, provas sofisticadas ou pessoal de alto custo ou treino para os pais. É uma ajuda tanto dentro da sala de aula, em casa como na comunidade.

Premissas básicas
As crianças ao usar PECS são ensinadas a aproximar-se (chegar perto) e a dar uma imagem (foto) de um objecto desejado ao seu interlocuctor, para obter tal objecto. Ao fazer isto, a criança inicia um acto comunicativo para obter um resultado concreto num contexto social.

Orientações para iniciar o PECS
1. Disponibilize (ou crie) um sistema de símbolos:
- Desenhos lineares a preto e branco ( inicie com desenhos de aproximadamente 5.2 cm.
- Desenhos lineares em cores de 5.2cm.
- Fotos comerciais.
- Fotografias pessoais.
- Álbum porta-imagens/fotos.
2. As imagens (fotos) devem estar facilmente disponíveis durante o treino:
- Utilize um avental de carpinteiro com imagens (fotos).
- Tenha uma caixa de imagens (fotos) bem organizada.
3. Utilize velcro de forma generalizada
- Cole (fixe) uniformemente nas imagens e na superfície suporte.
4. Tenha um lugar do quarto ou da casa onde as imagens e/ou quadros estejam disponíveis para o estudante.
5. Ao longo do treino, o aluno JAMAIS deverá escutar as palavras "NÃO" ou "Não tenho nada disso".
6. Estabeleça reforços:
- O que é altamente desejado pelo aluno? Entreviste a família, técnicos, amigos.
- Valorização do reforço: diz-se que um objecto é preferido, se o aluno de uma forma segura o alcança num lapso de tempo de 5 segundos ou se é seleccionado pelo aluno em 3 ocasiões distintas.

FASE 1: intercâmbio físico
Objectivo:
- Quando vir um objecto altamente preferido, o aluno pegará a imagem do objecto, aproximar-se do professor e deixa a imagem (fotografia) na sua mão.
- Ao fazer isso, a criança inicia um acto comunicativo para obter um resultado concreto dentro de um contexto social.

Pontos-chave
- São necessárias duas pessoas nesta etapa inicial. Uma está atrás do aluno e outra está à frente.
- Não haverá incentivos(estimulações) verbais.
- Responda sempre como se o aluno tivesse falado.
- Organize, pelo menos, 30 oportunidades ao longo do dia para que o aluno possa solicitar (pedir).

Passos
A - intercâmbio completamente assistido
- O aluno deverá alcançar o objecto desejado e o professor, fisicamente, ajudá-lo a apanhar a fotografia.
- Uma vez que a fotografia apenas toque na segunda pessoa, a criança deverá ser imediatamente recompensada!!!!!
- O professor responde, "Ah! Tu queres a bola/ biscoito, etc..." "Obrigado por me dizeres o teu desejo".
- Não serão utilizadas estimulações directas nesta etapa, por exemplo: "O que queres?", "O que foi?", "Dá-me a fotografia", "Pega a fotografia".
- A mão aberta do professor é a pista (dica) para a criança.

B - reforço gradual
- Inicie evitando o elogio verbal, para em seguida elogiar o aluno quando entregar a fotografia.
- Uma vez que entregou a fotografia, o aluno é imediatamente reforçado.
- Repita até que o aluno deixe a fotografia na mão do professor, sem incentivo, de 8 a 10 sucessos.

C - reduzindo a pista da "mão aberta"
- Esperar, progressivamente, mais tempo antes de mostrar a sua mão aberta.

FASE 2: desenvolvendo a espontaneidade
Objectivo: o aluno irá ao quadro de comunicação, pegará uma fotografia, irá a um adulto e deixa-a na sua mão.

Preparação: uma fotografia de um objecto altamente preferido é fixada com velcro num quadro de comunicação. Aluno e professor estão sentados tal e qual estavam na fase 1.

Pontos-chave
- Novamente, nenhuma estimulação verbal.
- Treinar com um grupo de fotografias, uma de cada vez.
- Trabalhar com vários professores/ terapeutas (alternando).
- Faça provas de treino estruturado, crie pelo menos 30 oportunidades para pedidos espontâneos ( terapia física, terapia ocupacional, lazer, lanche, etc.).

Passos:
A - Permita ao aluno uma brincadeira de 10 a 15 segundos com o objecto desejado ou que coma parte do gelado, etc. Apanhe o objecto e mostre o quadro de comunicação com a fotografia. Se for solicitada, ajude-o fisicamente a apanhar a fotografia do quadro de comunicação.

B - Aumente a distância entre o estudante e o terapeuta:
- O estudante inicia o intercâmbio ao apanhar a fotografia.
- O estudante segura(escolhe) um adulto.

C - O adulto inclina-se para trás para que o aluno tenha que ficar de pé para agarrá-lo:
- Gradualmente o adulto aumenta a distância em centímetros.
- Conforme o êxito do aluno (4 a 5 sucessos), em seguida, os aumentos das distâncias devem ser maiores.
** As fotografias estão ainda perto do aluno.

D - Aumente a distância entre o aluno e a fotografia. Pretende-se que o aluno vá à fotografia e em seguida ao adulto.

FASE 3: discriminação de fotografias
Objectivo: o aluno solicitará os objectos desejados indo ao quadro de comunicação, seleccionando a fotografia apropriada e voltando ao interlocutor para lhe dar a fotografia.

Preparação: o aluno e o professor estão sentados à mesa, frente a frente (contacto visual directo). Tenha disponível várias fotografias de objectos desejados ou contextualmente apropriados, fotografias de objectos irrelevantes ou não preferidos e os objectos correspondentes.

Pontos-chave:
- Nenhuma estimulação verbal.
- Continue com as actividades organizadas de forma estruturada, durante pelo menos 20 oportunidades aleatórias.
- Varie a posição das fotografias no quadro de comunicação até que a discriminação seja alcançada.

Passos:
A - Inicie com um objecto altamente desejável e um não preferido. Ex.: fotografia de um brinquedo sensorial versus fotografia de uma meia.
- Reforce com o objecto que o aluno escolha. Elogie verbalmente se o aluno escolher o objecto desejado e não demonstre qualquer reacção se o aluno escolher o objecto não desejado.
- Continue até que 8 a 10 sucessos sejam alcançados apropriadamente.

B - Acrescente fotografias e manipule o valor do reforço das fotografias "não preferidas", para que a criança aprenda a fazer escolhas entre fotografias que são igualmente desejadas.
* Nesta etapa o professor pode começar a reduzir o tamanho da fotografia (imagem).

FASE 4: Estrutura da oração
Objectivo: O aluno solicita artigos presentes e não presentes usando uma frase de várias palavras observadas no livro. O aluno apanha uma fotografia/símbolo de "Eu quero" e coloca-a numa tira de frases (tira de velcro). Logo, o estudante apanha uma imagem do que deseja, coloca-a na tira de frase, pega toda a tira de velcro e entrega ao seu interlocutor.

Preparação: deverá estar disponível:
1 . Quadro de comunicação.
2 . Tira de frases.
3 . "Eu quero".
4 . Imagens e objectos/actividades de reforço.

Passos:
A - Fotografia da frase "Eu quero". A fotografia "Eu quero" é fixada no canto superior esquerdo do quadro de comunicação. Quando a criança desejar um objecto/actividade, oriente-a a colocar a imagem de "Eu quero", coloque-a do lado esquerdo da tira de frase e coloque a imagem do objecto desejado junto a ela, na tira de frase. A criança, então, aproxima-se do seu interlocutor e entrega-lhe a tira de frase (tira de velcro). Com o passar do tempo, elimine todas as pistas.
*** Considera-se atingido o objectivo desta etapa com 80% de êxito, com pelo menos 3 técnicos e sem ajuda.

B - Movendo a imagem "Eu quero". Mova a imagem "Eu quero" para o canto superior direito do quadro de comunicação. Quando a criança quiser um objecto/actividade oriente-o a ir buscar a imagem "Eu quero", situando-a à esquerda da tira de frases, e situe a imagem do objecto desejado próximo dela, na tira de frases. A criança, em seguida, aproxima-se do seu interlocutor e entrega-lhe a tira. Com o passar do tempo, vá retirando as pistas.
*** Considera-se que alcançou os objectivos desta etapa com pelo menos 80% de êxito com pelo menos 3 técnicos sem ajuda.

C - Referências que não estão a vista. Crie oportunidades para que o aluno solicite objectos/oportunidades que não estão à vista.

FASE 5: Respondendo a "Que queres?"
Objectivo: O aluno poderá, de maneira espontânea, solicitar uma variedade de objectos e pode responder à pergunta "O que queres?".

Preparação: Tenha disponível quadro de comunicação com imagem "Eu quero", a tira de velcro (tira de frase) e fotografias (imagens) de objectos. Tenha vários objectos de reforço disponíveis, mas inacessíveis (ocultos).

Passos:
A - Atraso de ZERO segundos. Com um objecto desejado presente e a frase "Eu quero" no quadro de comunicação, o professor, simultâneamente, aponta a frase "Eu quero" e pergunta "O que queres?", a criança deve apanhar a imagem de "Eu quero" e completar o intercâmbio.

B - Aumentando o intervalo de atraso. Comece aumentando o tempo entre perguntar "O que queres?" e sinalizar a frase de "Eu quero".

C - Não dar ao estudante nenhuma pista de sinalizar. Uma vez que o aluno conseguiu dominar consistentemente a ordem "O que tu queres?", então, de forma sistemática, misture para criar oportunidades de pedidos e respostas espontâneas.

FASE 6: Resposta e comentário espontâneo
Objectivo: O aluno responde apropriadamente a "O que queres?", "O que vês?", "O que tens?" e a outras perguntas semelhantes quando estas são feitas de maneira aleatória.

Preparação: Tenha disponível o quadro de comunicação com as imagens de "Eu quero", "Eu vejo", e a de "Eu tenho". Também tenha disponível várias imagens de objectos menos preferidos dos que o aluno já tenha aprendido a imagem.

Passos:
A - "O que vês?

B - "O que vês?" versus "O que queres?"

C - "Ver", versus "Querer" versus "Ter".

Algumas orientações
- O número de imagens depende da valorização do reforço e do número de êxitos/sessões necessárias para o aluno dominar a fase.

- Os primeiros êxitos do treino na fase 1, tipicamente, têm lugar num formato muito estruturado. O aluno pode ser retirado, inicialmente das actividades em curso para lhe ensinar a fase.

- O novo vocabulário é introduzido quando a necessidade de reforço seja mínima. O número de imagens utilizadas nas fases 1 e 2 será ilimitado, sempre e quando sejam introduzidas uma a uma.

- Pode haver alguma sobreposição entre alcançar o domínio da fase 2 e da fase 3. Por exemplo, se um aluno aprendeu a ir a seu interlocutor para entregar uma imagem, mas ainda está a aprender a ir buscar as imagens, neste caso seria correcto iniciar o treino de discriminação. É importante recordar que a fase 2 nunca termina realmente. O componente crucial do PECS é que o aluno seja um comunicador persistente, um que perturbe em lugar de um que tenha que ser encorajado a comunicar-se.

- Cada aluno deve ter o seu próprio tema de comunicação que possa viajar com ele. O sistema é tratado como se fosse um apêndice da criança (como uma cadeira de rodas ou um sapato ortopédico) e a criança deve aprender a ser responsável por ele. Não deve ser o professor ou o parente o que irá carregar o livro de um lugar para o outro.

- Na fase 1 ou na fase 2 do treino, não deve ser apresentado mais que 1 símbolo em cada ocasião. Pode o professor determinar, de acordo com a valorização do esforço e as rotinas naturais, qual imagem deve estar disponível em cada ponto da actividade. Se a criança está na fase 3 do treino, o número de símbolos será determinado pela habilidade real do estudante para discriminá-los. Além da fase 3 todas as imagens devem estar disponíveis para o estudante.

- Sem uma recompensa potencial, não há potencial de comunicação. Portanto, devemos continuar a determinar que objectos e eventos seriam gratificantes para o aluno. Algumas ocasiões isto requererá observação cuidadosa das preferências do aluno. Cada uma dessas preferências podem ser usadas como uma recompensa potencial, portanto, como um objecto ou actividade a solicitar.

Fonte: Autistas.org.

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