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terça-feira

Formas criativas para estimular a mente de alunos com défice cognitivo


O professor deve entender as dificuldades dos alunos com limitações de raciocínio e desenvolver formas criativas para auxiliá-los.

CONCENTRAÇÃO
De todas as experiências que surgem no caminho de quem trabalha com a inclusão, receber um aluno com deficiência intelectual parece a mais complexa. Para o surdo, os primeiros passos são dados com a LGP. Os cegos têm o braile como ferramenta básica e, para os estudantes com limitações físicas, adaptações no ambiente e nos materiais costumam resolver os entraves do dia-a-dia.

Mas por onde começar quando a deficiência é intelectual?
Melhor do que se prender a relatórios médicos, os professores precisam entender que tais diagnósticos são uma pista para descobrir o que interessa: quais os obstáculos que o aluno enfrentará para aprender - e eles, para ensinar.

No geral, especialistas na área sabem que existem características comuns a todo esse público. São três as principais dificuldades enfrentadas por eles: falta de concentração, entraves na comunicação e na interacção e menor capacidade para entender a lógica de funcionamento das línguas, por não compreenderem a representação escrita ou necessitarem de um sistema de aprendizagem diferente.
Há crianças que reproduzem qualquer palavra escrita no quadro, mas não conseguem escrever sozinhas por não associar que aquelas letras representem o que ela diz.

SIGNIFICADO
Alunos com dificuldade de concentração precisam de espaço organizado, rotina, actividades lógicas e regras. Como a sala de aula tem muitos elementos - colegas, professor, quadro-preto, livros e materiais - focar o raciocínio fica ainda mais difícil.
Por isso, é ideal que as aulas tenham um início prático e instrumentalizado. Não adianta insistir em falar a mesma coisa várias vezes. Não se trata de reforço. A criança precisa desenvolver a habilidade de prestar atenção com estratégias diferenciadas para, depois, entender o conteúdo.

O ponto de partida deve ser algo que mantenha o aluno atento, como jogos de tabuleiro, quebra-cabeças, jogos da memória e imitações de sons ou movimentos do professor ou dos colegas [em Geografia, por exemplo, ele pode exercitar a mente traçando no ar com o dedo o contorno de uma planície, planalto, morro e montanha].
Também é importante adequar as propostas educativas à idade e, principalmente, aos assuntos trabalhados em classe. Nesse caso, o estudo das formas geométricas poderia vir acompanhado de uma actividade para encontrar figuras semelhantes que representem o quadrado, o retângulo e o círculo.

A meta é que, sempre que possível e mesmo com um trabalho diferente, o aluno esteja integrado no grupo. A tarefa deve começar tão fácil quanto seja necessário para que ele perceba que consegue executá-la, mas sempre com algum desafio. Depois, pode-se aumentar as regras, o número de participantes e a complexidade. A própria sequência de exercícios parecidos e agradáveis já vai ajudá-lo a aumentar de forma considerável a capacidade de se concentrar.

O que é a deficiência intelectual?
É a limitação em pelo menos duas das seguintes habilidades: comunicação, autocuidados, vida no lar, adaptação social, saúde e segurança, uso de recursos da comunidade, determinação, funções académicas, lazer e trabalho.
O termo substituiu "deficiência mental" em 2004, por recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU), para evitar confusões com "doença mental", que é um estado patológico de pessoas que têm o intelecto igual ao da média, mas que, por algum problema, acabam temporariamente sem usá-lo na sua capacidade plena.
As causas variam e são complexas, englobando factores genéticos, como a síndrome de Down, e ambientais, como os decorrentes de infecções e uso de drogas na gravidez, dificuldades no parto, prematuridade, meningite e traumas cranianos.
Os Transtornos Globais de Desenvolvimento (TGDs), como o autismo, também costumam causar limitações. De acordo com a OMS, cerca de 5% da população mundial tem alguma deficiência intelectual.

COMUNICAÇÃO
A imaturidade do sistema neurológico pede estratégias que servem para a criança desenvolver a capacidade de relacionar a oralidade com a escrita. Para ajudar, o professor deve enaltecer o uso social da língua e usar ilustrações e fichas de leitura. O objectivo delas é acostumar o aluno a relacionar imagens com textos. A elaboração de relatórios sobre o que está a ser feito também ajuda nas etapas avançadas da alfabetização.

Outra característica da deficiência intelectual que pode comprometer o aprendizagem é a dificuldade de comunicação. A inclusão de músicas, brincadeiras orais, leituras com entoação apropriada, poemas e rimas ajuda a desenvolver a oralidade. Devem ser sempre feitas parcerias com terapeutas da fala mas a sala de aula contribui bastante porque, além de verbalizar, eles motivam-se ao ver os colegas tentando o mesmo.
Essa limitação, muitas vezes, camufla a verdadeira causa do problema: a falta de interacção. Nos alunos com autismo, por exemplo, a comunicação é rara por falta de interacção. É o convívio com os colegas que trará o desenvolvimento do aluno. Para integrá-lo, as dicas são dar o espaço de que ele precisa mantendo sempre um canal aberto para que busque o professor e os colegas.

Fonte: Revista Escola (Junho de 2009)

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