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Ajuda tecnológica para portadores de T21

Nos últimos vinte anos, numerosos investigadores têm enfatizado a necessidade de encarar a aprendizagem da leitura como uma actividade para o desenvolvimento da linguagem, em particular da linguagem oral de crianças com Trissomia 21( síndrome de Down).
No início da década de 80, Sue Buckley e Liz Wood demonstraram que muitas crianças com T21 conseguiam aprender a ler antes dos 5 anos de idade. Nessa altura, os professores aceitaram as suas investigações com descrença e alguma hostilidade. Ainda hoje, muitos profissionais se mostram relutantes na aceitação dos factos - as crianças estão efectivamente a ler. Podemos verificar os efeitos da aprendizagem da leitura, na linguagem, pensamento e desenvolvimento cognitivo, auto-estima, independência, oportunidades e qualidade de vida.

O desenvolvimento precoce das crianças portadoras de T21 é afectado por um conjunto de dificuldades específicas que vão distorcer as experiências precoces, influenciar os comportamentos das pessoas próximas e reduzir as suas oportunidades para aprender e progredir. muitas destas dificuldades podem ser sinalizadas e a sua influência negativa no desenvolvimento da criança pode ser diminuída:
   1. Atraso da linguagem expressiva, o que faz com que a criança tenha um vocabulário menor e menor conhecimento das regras gramaticais e sintácticas da linguagem.
   2. Inteligibilidade pobre, o que faz com que a criança não seja capaz de falar tão bem como compreende, resultando muitas vezes na subestima da sua capacidade cognitiva.
   3. Estas dificuldades na aprendizagem da linguagem atrasam muitos outros aspectos do desenvolvimento cognitivo já que a criança não será capaz de utilizar a linguagem para pensar, raciocinar e recordar.
   4. Intervalo da memória a curto-prazo diminuído, sendo difícil para a criança seguir instruções faladas, especialmente se envolvem várias tarefas consecutivas.
   5. Eficiência e rapidez com que a criança recebe, interpreta e responde às palavras ditas (processamento auditivo). De uma maneira geral, necessitam de mais tempo para processar e compreender o que lhes é dito, podem ser mais lentos a responder a questões ou instruções mesmo quando não têm problemas auditivos.

AJUDA TECNOLÓGICA
O aumento das opções disponíveis para os indivíduos com T21 apresenta um novo desafio para aqueles que lhes assistem. Os computadores e todas as ajudas técnicas fazem parte das novas estratégias de ensino e ferramentas que pretendem ajudá-los a alcançar o seu potencial máximo e a desenvolver capacidades e desempenhar comportamentos comunicativos que são particularmente desafiantes.
Os programas de software podem ter delineamentos específicos que promovem a aprendizagem das capacidades comunicativas e o desenvolvimento das crianças com T21. Cress & Goltz referem os seguintes delineamentos como sendo importantes nestas áreas:
   a) “Feedback” imediato para o utilizador.
   b) Apresentação de uma ideia de cada vez.
   c) Imagens reais que ajudam a realizar a tarefa.
   d) Animação ou movimento.
   e) Chamar a atenção no ecrã para informação nova ou mais importante.

A aprendizagem da linguagem na T21 pode ser promovida através das ajudas comunicativas, algumas das quais:
   a) Os símbolos (palavras) utilizados nas ajudas comunicativas são visuais e concretas – as crianças com T21 têm competências visuais de aprendizagem mais fortes do que as competências auditivas. Assim, olhar para os símbolos e ouvir simultaneamente as palavras pode ser uma maneira de ajudar as crianças a aprender a linguagem. Se acrescentarmos a frequência de infecções no ouvido médio e perdas auditivas associadas, a adição de informação visual parece ainda mais importante.
   b) Os símbolos apresentados (palavras) são estáticos, o que significa que não se movem ou modificam permitindo mais tempo para pensar sobre os próprios símbolos e os significados associados, ajudam a criança na sua tentativa para aprender o significado das palavras.
   c) As ajudas comunicativas apoiam as capacidades precoces de leitura, já que as imagens se acompanham da palavra escrita por baixo assim como da clara e correcta pronunciação da mesma.

Buckley, investigadora e Directora do Sarah Duffen Centre em Portsmouth, Inglaterra; sugeriu que os indivíduos com T21 podiam dominar capacidades de leitura numa idade precoce com um programa de intervenção precoce baseado na linguagem. O trabalho de Buckley apoia a observação de que as crianças com T21 parecem ter potencialidades no processamento visual da informação, nomeadamente na memória visual. Os professores e técnicos referem o aumento da motivação e atenção das crianças com T21 quando é apresentado apoio visual para a tarefa a realizar. Este melhoramento é particularmente verdade nas tarefas verbais. Os computadores são o exemplo mais flagrante deste fenómeno. A utilização de programas de processamento de texto que fornecem exemplos visuais de palavras, combinações de palavras e determinadas especificações gramaticais parecem fornecer uma ponte para a expressão verbal das pessoas com T21. Buckley referiu que a leitura é uma maneira de “entrada” da linguagem para estas crianças, o que significa que a linguagem se torna mais acessível quando existe suporte visual. A palavra falada é um fenómeno de passagem rápida pelos ouvidos de quem ouve, a palavra escrita permite o processamento por um período largo de tempo.

“Os Jogos da Mimocas” foram concebidos de forma a constituirem um conjunto integrado de actividades adequadas a crianças com NEE, devidamente organizadas por níveis de dificuldade, incluindo várias actividades dentro do mesmo nível, de modo a que a criança tenha tempo suficiente para consolidar uma estratégia de sucesso.
Contemplando itens essencialmente funcionais e adequados ao início da faixa etária a que se dirige (18 meses), “Os Jogos da Mimocas” introduzem uma metodologia baseada no processamento e na memória visual. Além disso, introduzem ainda a leitura com o suporte visual da palavra oral, para a promoção do desenvolvimento da linguagem compreensiva e expressiva.
O design das interfaces e da interacção que se estabelece em “Os Jogos da Mimocas” foi condicionada pelas características e exigências levantadas pelo seu público alvo: assim, foram estabelecidas duas linhas de orientação: a criança usa o sistema através de um ecrã sensível e o adulto controla a sessão de trabalho exclusivamente através do teclado; a carga informativa de cada ecrã foi minimizada de forma a reduzir o esforço cognitivo para interpretar a informação oferecida e dirigir a sua atenção para o que é relevante. Por outro lado, também as cores utilizadas foram escolhidas por forma a facilitar o reconhecimento e as animações são propositadamente simples e directas.
A aplicação “preferências” destina-se a criar um ficheiro de palavras para serem usadas nos vários níveis do jogo 2. Permite a utilização das mesmas palavras ao longo da progressão em dificuldade dos sete níveis, o
adulto escolhe o número e a categoria ou categorias quer pretende trabalhar, grava num ficheiro com o
nome da criança e na próxima sessão tem as palavras disponíveis para trabalhar sem perda de tempo.
As palavras disponíveis pertencem a sete categorias: alimentos; animais; corpo; transporte; verbos; vestuário; outros. Foram escolhidas como algumas das palavras que traduzem os conceitos dominados precocemente pelas crianças com déficit cognitivo ligeiro / moderado, nomeadamente, portadoras de Trissomia 21.
Um dos maiores objectivos no desenvolvimento desse software foi transpor para o computador a metodologia utilizada para o ensino da leitura, no programa do Sarah Duffen Centre. Pretende-se que, através do aumento da motivação e utilização das características cognitivas referidas, as crianças queiram e possam: aprender a ler, desenvolver determinadas competências cognitivas e promover a linguagem expressiva e compreensiva.

ESTRUTURA:
Grupo 1 – Contextualização - pretende-se desenvolver a compreensão semântica
   Actividade 1 - Foram definidos oito contextos quotidianos: “a praia”, “o jardim”, “o quarto”, “a casa de banho”, “a sala”, “a cozinha”, “o supermercado”, “a escola”. Para cada contexto são apresentadas três alternativas erradas e uma alternativa correcta. A criança deve associar os elementos adequados ao contexto apresentado.
   Actividade 2 - Foram definidas quatro acções: “calçar”, “brincar”, “comer”, “beber”. São apresentadas três alternativas em cada acção e o utilizador deve escolher a correcta. A criança deve associar itens ao contexto e compreender palavrasacção.
   Actividade 3 - Foram definidos oito grupos referentes à posição, grandeza, altura, comprimento, temperatura, com três níveis de evolução na compreensão das instruções para a realização da actividade. A criança deve aprender opostos e compreender e discriminar auditivamente a instruções.
   Actividade 4 - Foram definidos 3 efeitos climáticos: chuva, frio e calor. São apresentadas três alternativas em cada acção e o utilizador deve escolher a correcta. A criança deve realizar classificações.

Grupo 2 – Ensino da leitura para promover a linguagem, promoção da inteligibilidade, memorização do estimulo auditivo, facilitação do processamento auditivo
Foram delineadas seis fases de progressão, utilizando um vocabulário pré-estabelecido segundo as necessidades quotidianas de comunicação e as possibilidades da aplicação a desenvolver.

Grupo 3 – Auto-orientação
Foram definidas quatro actividades em que são utilizados os dois sexos com as respectivas peças de vestuário e o corpo humano com os respectivos constituintes. Pretende-se promover, entre outros, a orientação espacial e a consciência corporal.

Grupo 4 – Discriminação auditiva de sons quotidianos
Foram delineadas quatro actividades para atingir os objectivos propostos. A criança deve discriminar auditivamente sons de animais e sons quotidianos.

Grupo 5 – Memória visual
Foram delineadas actividades de memorização utilizando um modelo e alternativas imagem / palavra que podem vir a ser ocultadas.

Grupo 6 – Raciocínio sequencial
Foram desenvolvidos temas com duas, três e quatro sequências de situações contextuais, facilmente identificáveis no tempo.

Grupo 7 – Aumentar o léxico e promover o desenvolvimento da gramática
Foram definidos 3 níveis, o primeiro constituído por frases na primeira pessoa do singular e o verbo "querer”; o segundo, constituído por frases na terceira pessoa do singular, verbos compostos e elementos
de ligação; o terceiro, composto por frases na primeira pessoa do singular, verbos compostos, elementos de ligação e artigos no início da frase.

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